Com a experiência adquirida como professor em salas de aula de cursos semi presenciais de educação a distância, pude perceber a aplicação do conhecimento junto aos alunos.
Os professores e tutores são de fundamental importância para que essa modalidade de ensino alcance seus objetivos.
Entender as dificuldades dos alunos e atentar-se para que os mesmos não se percam no processo de aprendizagem é muito importante.
Nesse momento, o comprometimento dos docentes é vital para que o conhecimento possa ser transferido para alunos com diferentes graus de aptidão e de capacidade de aprendizagem.
Estar presente não é suficiente. O necessário é estar junto, em cada adversidade e em cada vitória.
Discutiremos mais sobre o assunto nas próximas postagens.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Reflexões sobre a Educação a Distância – por Adriana Regina Sanceverino Losso
Reflexões sobre a Educação a Distância – o papel do professor tutor na
perspectiva da mediação pedagógica
Reflections about Distance Education - the role of the teacher-tutor in the
perspective of pedagogic mediation
Adriana Regina Sanceverino Losso
RESUMO: Baseado na prática pedagógica de tutoria vivenciada
pela autora, este artigo constitui pequena síntese retrospectiva da
EaD como modalidade de ensino no mundo e no Brasil, ressaltando
a experiência da UDESC. A abordagem dessa temática permeia a
reflexão dos seguintes aspectos, essenciais para esse estudo: a
utilização de material impresso, video, site na Internet , tele
conferências, e-mail, telefone, encontros presenciais, materiais
auto-instrucional, e a avaliação. Envolve, portanto, os aspectos
metodológicos e teóricos que constituem a complexa função tutorial
do professor em EaD.
PALAVRAS-CHAVE: Educação a Distância. Professor-Tutor.
Mediação Pedagógica.
ABSTRACT: This article reflects upon Distance Education and
highlights the role of the teacher-tutor from the perspective of
Pedagogical Mediation in this educational mode at the State
University of Santa Catarina – UDESC. The paper is based on the
author’s pedagogical experience as a tutor. It also includes a short
retrospective synthesis of this educational mode in Brazil and
throughout the world, emphasizing the experience at UDESC. The
approach to this theme permeates the reflection of the following
factors that are essential to this study: the use of printed materials,
video, Internet sites, tele-conferencing, e-mail, telephone, personal
meetings, instructional manuals and evaluation. It therefore
involves the methodological and theoretical factors that constitute
the complex tutorial function of the teacher in Distance Education.
KEYWORDS: Distance Education. Teacher-tutor. Pedagogic
Mediation.
1 História da Educação a Distância
*
Mestranda em Educação e Cultura pela UDESC. Orientadora Educacional da Divisão de Ensino Fundamental
da Secretaria Municipal de Educação de Palhoça. E-mail.: padrianalosso@virtual.udesc.br
Pedagoga, Orientadora Educacional. Professora Tutora da CEAD/UDESC. Especialista em alfabetização eAo me propor a abordar a temática da Educação a Distância - EaD da
Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, tinha a consciência de que o tema é
muito amplo para ser tratado em algumas páginas deste artigo. Mesmo assim, aceitei o
desafio, fazendo o necessário recorte, exatamente naquelas questões decorrentes do meu
objeto de pesquisa: o papel do professor-tutor – em tese – a mediação pedagógica.
Com isso, sobre a EaD nos deteremos em um breve histórico dessa modalidade
educativa, situando a educação a distância no mundo, no Brasil e na UDESC. A temática
da mediação pedagógica em tutoria será apoiada não só na filosofia de EaD discutidas em
algumas das literaturas existentes na área, mas, sobretudo, segundo a minha prática
pedagógica como professora tutora do curso de Pedagogia da UDESC nesta modalidade
educativa.
Começo, assim, minha reflexão acerca da EaD, recuperando-a no interior da
realidade humana que historicamente a constituiu. Nascida sob o signo da democratização
do saber (TODOROV, 1994, p. 5) a história desta modalidade de ensino vem quebrando
barreiras de espaço e de tempo. Sua origem remonta às experiências de educação por
correspondência, iniciadas no final do século XVIII, com amplo desenvolvimento a partir
do século XIX, onde essa modalidade de ensino começa a se consolidar. Vale dizer então,
que EaD é algo bastante antigo. E no sentido fundamental da sua expressão, é o
ensino/aprendizagem que ocorre quando o professor (aquele que ensina) e o aluno (aquele a
quem se ensina), estão separados no tempo, e/ou no espaço. Mas, para que possa haver
EaD, mesmo neste sentido fundamental, é necessário que ocorra a intervenção de alguma
tecnologia.
1Podemos dizer, então, que a primeira tecnologia que permitiu a EaD foi à escrita.
Dialogando com vários autores, dentre eles Landim (2000), Litwin (2001), Niskier (1999),
Nunes (1999) e Saraiva (1996), percebemos que a invenção da escrita possibilitou que as
pessoas registrassem o que antes só podiam dizer. Isso permitiu o surgimento do ensino por
correspondência que foi a primeira geração de EaD. As epístolas do Novo Testamento são
um claro exemplo de EaD. Destinadas a comunidades inteiras, elas possuem nítido caráter
1
como de métodos e técnicas, para estender a sua capacidade física, motora ou mental e sensorial para facilitar
e simplificar o seu trabalho.
O termo tecnologia aqui, se refere a tudo aquilo que o ser humano inventou, tanto em termos de artefatosdidático. O seu alcance, entretanto, foi relativamente limitado, até que foram transformadas
em livros. Com o surgimento do livro, mesmo que manuscrito, o alcance da EaD aumentou
significativamente em relação à carta.
O livro, com certeza, é a tecnologia mais importante na área de EaD antes do
aparecimento das modernas tecnologias eletrônicas, especialmente as digitais. Vale
lembrar, então, que segundo vários autores que dividem a EaD em três categorias, o livro
impresso foi a primeira geração de EaD de massa. Pois, na forma impressa, dada à
tecnologia tipográfica, aumentou expressivamente o alcance dessa modalidade educativa.
Mas recentemente, as tecnologias de comunicação e telecomunicação especialmente na sua
versão digital, ampliaram ainda mais o alcance e as possibilidades da EaD.
Assim, podemos dizer que a segunda geração de EaD baseia-se na utilização de
multimeios, adicionados ao material impresso, a TV, o rádio, o correio postal e eletrônico,
a telefonia e as fitas de áudio e vídeo. Já a terceira geração agrega as anteriores, mais todos
os recursos da informática e das telecomunicações. São as chamadas tecnologias
interativas. Cada um desses meios introduziu um novo elemento e todos deram uma nova
dinâmica a EaD, que, por sua vez, apresenta hoje, alcance e possibilidade de atuação em
uma escala nunca antes imaginada.
Apesar das diversas denominações, estruturas, metodologias e organizações, o
sistema de EaD tem muitas características em comum. Traduzindo afirmações de Aretio
(1999) vemos que, em sua revisão das definições mais relevantes acerca da EaD, a partir de
diferentes autores, oferece-nos uma definição integradora. Para ele, a Educação a Distancia
é o:
sistema tecnológico de comunicación bidireccional, que puede ser masivo
y que sustituye la interacción persona em el aula, de formador y alumno,
como medio preferente de ensenãnza, por la acción sistemática y conjunta
de diversos recursos didácticos y el apoyo de una organización y tutoria,
que propician el aprendizaje indepiendente y flexíble de los
estudiantes
.(ARETIO, 1999, p.5)Isto porque a necessidade socialmente posta em nosso tempo impõe a
disseminação do conhecimento para todos. E parece que o sistema educacional formal é
hoje insuficiente para atender a essa generalização da educação, que demanda satisfazer
necessidades de formação e culturas diversificadas. A própria organização do sistema
educacional contemporâneo nasce dessa necessidade, entretanto, paradoxalmente, essa
generalização da educação, em suas várias modalidades, não vem ocorrendo em sua
plenitude na estrutura educacional vigente.
Mas, atualmente, países dos cinco continentes vêm adotando a EaD em todos os
níveis de ensino. Em alguns desses países, o ensino superior à distância é uma prática
comum, consolidada e bastante desenvolvida. Os milhões de alunos à distância que existem
hoje em todo o mundo, participam anualmente de programas de EaD com os mais diversos
propósitos: cursos rápidos de atualização e aperfeiçoamento, até curso superior de
graduação e, inclusive, de pós-graduação – especialização, mestrado ou doutorado.
No Brasil, a EaD nasceu no século XX. Teve seu marco inicial com a Fundação
Roquete Pinto e a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro entre 1922 e 1925, com a finalidade
de ampliar o acesso à educação a partir da radiodifusão da cultura. A essas, se seguiram
outras iniciativas: a experiência feita pela Marinha e pelo Exército brasileiros em 1939 e
pelo Instituto Universal Brasileiro em 1943; o Programa Nacional de Teleducação na
década de 1960; o Projeto Minerva na década de 1970; o Projeto de Radiodifusão
Educativa da Bahia que veiculou programas de educação básica e secundária, além de
formação de professores à população da Bahia; o projeto LOGOS II, que habilitou mais de
60 mil professores leigos em todo Brasil nas décadas de 1970 e 1980; o Projeto TV Escola,
do MEC, que visava a formação de professores; os Telecursos de 1º e de 2º grau e o
Telecurso 2000, iniciativas da rede Globo de Televisão que contam com apoio das tevês
educativas. Lembramos, também, o mais recente e bem-sucedido exemplo de EaD que é o
Proformação, programa desenvolvido pelo MEC/Fundescola, que se expandiu em várias
unidades federativas, como o objetivo de habilitar, em nível médio, professores que já se
encontram em exercícios nas escolas da rede pública.
Na década de 90 do século XX, outras instituições lançaram seus projetos. É o
caso da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, através do seu Laboratório de
Educação a Distância – LED. O LED-UFESC é apontado como um dos pioneiros, por
várias retrospectivas em Santa Catarina, em utilizar todas as tecnologias da informação e da
comunicação em programas de educação a distância. Mas o Curso de Pedagogia a Distância
da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, através de sua Coordenadoria de
Ensino a Distância - CEAD, foi um dos pioneiros em cursos de graduação no Brasil que
podem ser acessados, inclusive, através da Internet.
Vale lembrar, também, a iniciativa do consórcio de Universidades Públicas
brasileiras, formado atualmente por cerca de sessenta e uma Instituições Federais de Ensino
Superior, interessadas em promover projetos de educação à distância e ensino on-line. Entre
elas, firmadas recentemente, também a experiência feita pela Universidade do Estado de
Santa Catarina. Este consórcio é parte do processo de construção e expansão da
Universidade Virtual de Brasília – UnB, que compreende parcerias entre várias instituições
que compartilham o propósito de implementação, difusão e potencialização de projetos de
Educação a Distância, proporcionando a construção e a socialização do conhecimento nos
mais diferentes setores sociais.
Podemos, ainda, lembrar que, na história brasileira da educação superior à
distância, uma das primeiras experiências ocorreu na Universidade de Brasília, em meados
da década de 1970. Mas efetivamente, é na década de 1990 que a EaD nas universidades
brasileiras teve uma expansão significativa com a regulamentação da Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394 de 20/12/96). E, pouco a pouco, vêm sendo
implantados programas e cursos nessa modalidade nos mais diversos níveis de ensino.
Além disso, é crescente o número de cursos convencionais que incorporam componentes de
EaD na sua metodologia, evidenciando a interdependência cada vez maior entre essas
modalidades, com várias alternativas que se desenham para esta contemporaneidade que se
caracteriza pela universalização de uma educação permanente.
É, aí, que lembramos, que a EaD torna-se uma alternativa viável no atendimento,
não somente das demandas de grupos específicos, em contextos com alta renda e acesso
tecnológico, mas, também, para grupos dispersos geograficamente, com restrições de
acesso às tecnologias de terceira geração e com urgente necessidade de atualização e
formação, gerada pela obsolescência acelerada dos conhecimentos, causada pelo avanço da
tecnologia e da Ciência. E essa diversidade de demanda e diferentes possibilidades de
acesso às mídias de cada público é que implica a necessidade da existência de diversos
cursos e estratégias pedagógicas.
Por isso,
não existe um modelo único e rígido de educação à distância. Pelo
contrário, a riqueza de modelos e combinações possíveis exigem que em
cada caso se escrevam criativamente metodologias e esquemas que
resultam nas mais apropriadas, levando em conta as necessidades,
condições e meios de cada situação particular. (ARMENGOL, apud
JUSTIFINIANI, 1994, p. 14)
2 A Educação a Distância na UDESC
Preocupada com uma proposta pedagógica que atenda aos crescentes níveis de
complexidade que o cenário educacional impõe, a UDESC se coloca entre as várias
universidades que obtiveram credenciamento para desenvolver os cursos superiores de
graduação nesta modalidade. Recebeu seu credenciamento pelo MEC – Ministério da
Educação e do Desporto, em 1º de junho de 2000, através da portaria nº 69. Na ocasião,
oferecia o Curso de Graduação em Pedagogia com Habilitação em Séries Iniciais e/ou
Educação Infantil em parceria com 160 prefeituras do Estado de Santa Catarina, para
aproximadamente três mil e quinhentos professores já em exercício do magistério, entre
outros, que por um motivo ou outro, não estavam sendo atendidos satisfatoriamente pelos
meios tradicionais de ensino.
Desde então, a Universidade Estadual de Santa Catarina tem tido uma expansão
significativa nesta modalidade de ensino. Não só neste curso, mas também com a criação de
outros, como o curso de Complementação Técnico Pedagógica e a Especialização “latu
sensu” em Gestão Escolar. Estas oportunidades foram ampliadas não só em Santa
Catarina, mas também, em parcerias hoje, em estudo com outros estados do país, tais
como: Ceará, Bahia, Amapá, Maranhão e Pará.
Com efeito, atualmente a UDESC em seu curso de Pedagogia com Habilitação em
Séries Iniciais e/ou Educação Infantil na modalidade a distância, conta com
aproximadamente 14.800
locais nos vários municípios. Para tanto, a sede da Coordenadoria de Educação a Distância
(CEAD), promotora destes cursos, no âmbito da UDESC, conta com um sistema tutorial
que agrega muitos profissionais, entre graduados, especializados, mestres e doutores.
Fazem parte, também, dessa perspectiva de um sistema tutorial, a coordenação, os
2 alunos, com vários professores tutores espalhados em núcleos2
Secretário Acadêmico da CEAD/UDESC em outubro de 2002.
Matrículas Oficiais da Secretaria Acadêmica da CEAD/UDESC, fornecidas pelo Sr.Carlos A. dos Anjos –professores de disciplina, os professores tutores em funções pedagógicas variadas e a
secretaria acadêmica do curso.
Trabalhando na perspectiva de uma proposta pedagógica que explore o potencial de
comunicação que as mídias de terceira geração propiciam, a UDESC busca criar espaços
de interação que atenda às exigências dos alunos e professores, considerando como
prioridade, a qualidade do material e a adequação à diversidade de demandas – fundamental
para o desenvolvimento dessa modalidade de ensino.
O curso utiliza material impresso e vídeo, site na internet, teleconferências, e-mail,
telefone e encontros presenciais. Os alunos residem em diversas cidades do estado de Santa
Catarina e são, na sua maioria, professores da rede pública municipal e estadual. A carga
horária total do curso é de 3.210 horas, distribuídas em 33 disciplinas para a Habilitação em
Séries Iniciais e 34 disciplinas para a Habilitação em Educação Infantil. As disciplinas são
cursadas de forma seqüencial e duram, em média, um mês.
O aluno tem a sua disposição quatro ambientes sistematizados de comunicação: o
material auto-instrucional, o site do curso (tutorial do ambiente virtual), os encontro
presenciais com os professores tutores e com os professores das disciplinas e os encontros
virtuais (chats). A estrutura ainda permite contatos individuais por e-mail ou telefone para
atender às questões individuais e que não estejam contempladas nos espaços de
comunicações básicos.
O material auto-instrucional consiste em recursos impressos e audiovisuais, como
textos, fitas-cassete, fitas de vídeo, programas televisivos. Este recurso tem como objetivo
disponibilizar os conteúdos das disciplinas, proporcionando ao aluno mais autonomia nos
horários e locais de estudo. São recursos que contem todas as informações e orientações
para o estudo autodirigido. Neste curso, o material impresso, mais usado para desenvolver
as disciplinas, é chamado de Caderno Pedagógico. São livros elaborados por professores
que recebem acompanhamento pedagógico antes, durante e após a elaboração do material,
garantindo, assim, que o mesmo obedeça aos padrões necessários nesse modelo de curso. É
complementado por fitas de vídeo que abordam os conteúdos mais relevantes das
disciplinas. Além dos conteúdos da disciplina, o Caderno contém as atividades que o aluno
deve realizar e as avaliações a serem enviadas ao professor tutor e/ou professor da
disciplina.
O site desenvolvido pela CEAD/UDESC (tutorial do ambiente) para o curso,
possibilita a troca e armazenamento da informação, criando espaços para alunos e
professores atuarem de forma colaborativa, interativa, e contextualizada com as disciplinas.
No site, os alunos encontram uma série de links que lhes possibilitam acompanhar todas as
atividades do curso, como o plano de ensino, onde localizam todas as informações
referentes aos horários de atendimento dos professores no plantão pedagógico; ementa,
carga horária; cronograma, temas e relatórios dos chats; e-mail da disciplina; os conteúdos
do Caderno Pedagógico e o material de apoio disponibilizado pelos professores da
disciplina; horário e locais de realização das provas escritas, bem como, os gabaritos das
mesmas; salas de conversação que se encontram a disposição dos alunos, exclusiva para
cada disciplina; espaço para tirar dúvidas; fórum de discussão; midiateca – um espaço onde
o aluno tem disponíveis orientações para elaboração de trabalhos acadêmicos, endereços de
bibliotecas virtuais, tradutores, agenda de eventos na área de educação, entre outros.
A estrutura de navegação é composta por uma barra de menus com opções de
navegação: disciplinas (listagem de todas as disciplinas disponíveis no curso); midiateca
(página da UDESC Virtual que apresenta vários links e informações gerais); galeria de
fotos (apresenta fotos dos eventos do CEAD); secretaria (apresenta informações da
secretaria virtual); webmail (ferramenta de e-mail disponível no site); meu espaço (espaço
que disponibiliza funcionalidades como agenda pessoal, troca de senha etc.); momento
social (espaço com as últimas notícias do CEAD); ajuda (ajuda online).
Os encontros virtuais que ocorrem através dos Chats (salas de bate-papo),
permitem um diálogo on-line entre professores e os alunos sobre os temas relacionados aos
conteúdos em andamento, além de estabelecer e formar os laços afetivos e de amizade entre
alunos, professores tutores, professores das disciplinas e coordenação.
Os encontros presenciais com o professor da disciplina acontecem quase ao final
do estudo de cada disciplina nos núcleos locais dos municípios. Nesses encontros, os
professores trabalham a partir das dúvidas dos alunos, situam os conteúdos da sua
disciplina e descrevem um panorama geral da mesma, ressaltando os aspectos fundamentais
dos conteúdos trabalhados durante os estudos. Nestas oportunidades, também são feitas
avaliações do processo de ensino-aprendizagem e da própria qualidade destes encontros.
Já os encontros presenciais com os professores-tutores acontecem semanalmente
nos seus núcleos municipais. Esses encontros tutoriais podem se dar de forma individual ou
coletiva. A primeira tem a função de oferecer suporte individual, necessário para que o
aluno possa atingir seus objetivos de aprendizagem, dirimir dúvidas sobre os conteúdos e as
atividades dos Cadernos Pedagógicos, estudos complementares e, principalmente, obter as
orientações quanto ás dificuldades relativas à sistemática dos trabalhos da disciplina,
enfim, ao processo de estudo e aprendizagem.
Já a segunda, oferece um ambiente de interação e socialização das dificuldades e
avanços, onde todos colaboram e interagem tornando a aprendizagem mais significativa.
Nesta oportunidade, se privilegia a troca de experiências didáticas do grupo; as explicações
complementares para o aprofundamento necessários dos conteúdos estudados; o
desenvolvimento de novas orientações para a continuidade dos estudos e, sobretudo, a
avaliação reflexiva das atividades realizadas.
A avaliação, nesta modalidade de ensino, privilegia a aprendizagem relacionada
com a capacidade de aplicação de conceitos, estratégias e instrumentos às situações
concretas da prática profissional dos alunos, para o desenvolvimento de suas competências
profissionais. Por isso, as avaliações vão muito além da prova escrita e do trabalho final de
cada Caderno Pedagógico.
2.1 O Papel do professor-tutor
O trabalho principal do professor tutor é o de orientar o aperfeiçoamento
progressivo das competências profissionais do aluno, tendo como referência os objetivos
específicos estabelecidos nos Cadernos Pedagógicos que constitui importante oportunidade
para o aluno relacionar o exercício didático de realização das atividades com as situações
concretas da sua prática pedagógica, de modo a aperfeiçoar continuamente essa prática. O
professor-tutor conduz esse processo de forma contínua e dinâmica, de modo a auxiliar o
aluno no alcance progressivo dos seus objetivos de aprendizagem.
Nesse sentido, ele avalia as atividades desenvolvidas em equipe; incentiva os
alunos a desenvolverem permanentemente a sua auto-avaliação e a avaliação coletiva do
grupo, da atuação do professor-tutor e do professor gestor daquele conteúdo em estudo,
bem como, de sua atuação nos encontros presenciais.
Na UDESC, essa função tutorial privilegia a mediação pedagógica, entendida por
vários autores, como Vygotsky (1984) que destaca a importância da relação e da interação
com outras pessoas como origem dos processos de aprendizagem e desenvolvimento,
enfatizando que o conceito de aprendizagem passa a ter significado mais abrangente,
sempre envolvendo a interação entre os indivíduos no processo.
Está, também, apoiada na mediação pedagógica a conhecida fala de Paulo Freire,
quando nos diz que ninguém educa ninguém, a gente se educa na relação mediatizada pelo
mundo, onde professor e aluno são sujeitos do processo, mediadores, um do aprendizado do
outro.
Mas, foi Hegel, o filósofo, que articulou, de forma inovadora na tradição filosófica
racionalista, essa categoria teórica na sua real complexidade. Para ele, não existe
conhecimento imediato na concepção dialética.
Com efeito, a mediação nada mais é do que a igualdade consigo mesmo
que a si mesma se move ou é a reflexão em si mesmo, momento do Euexistente-
para-si, a pura negatividade, ou seja a negatividade reduzida à
sua simples abstração, o simples devir. O Eu ou o devir em geral, esse
mediatizador, é justamente, em razão de sua simplicidade, o devir da
imediatidade e o próprio imediato. (HEGEL, 1974, p. 20)
Em um sentido literal, a mediação refere-se ao estabelecimento de conexões por
meio de algum intermediário, e, como categoria central da dialética, figura-se com destaque
na epistemologia e na lógica em geral. Os aspectos importantes da mediação envolvem a
categoria de negação e totalidade. O sentido fundamental de negação é definido pelo seu
caráter como momento dialético imanente de desenvolvimento objetivo, o vir a ser. O
conceito dialético de totalidade é dinâmico, reflete às mediações e transformações
historicamente mutáveis da realidade objetiva. (BOTTOMORE, 2001, p. 262-380).
Ratner (1995), ao abordar a natureza social dos fenômenos psicológicos a partir da
teoria sócio-histórica, aponta três espécies de mediação constitutivas da psicologia: a
consciência ( ou atividade mental), a socialidade (ou cooperação social) e os instrumentos
(ou tecnologia). A consciência analisa, sintetiza, delibera, interpreta, planeja, lembra, sente
e decide, é autoconsciente. A socialidade é uma atividade conjunta, coordenada, inclui
cooperação, partilha cuidado e sacrifício com os outros e moldagem de si mesmo à medida
em que se interage com os outros indivíduos. Os instrumentos são implementos físicos que
os seres humanos utilizam para ampliar, expandir seu repertório comportamental .
(RATNER, 1995, p. 14-18). No dizer de Coll, Palácios e Marchesi (1996, p. 85):
“Empregar conscientemente a mediação social implica dar, em termos educativos, a
importância não apenas ao conteúdo e aos mediadores instrumentais (
e com quê
isso, diz Vygotsky, “(...) o caminho através de outra pessoa é a via central de
desenvolvimento da inteligência prática”.(VYGOTSKY apud COLL, 1996, p. 85)
A influência da categoria de mediação foi decisiva para a dialética marxista, na
construção de sua teoria social. Marx escreveu que o trabalho – como atividade produtiva –
caracterizava a determinação ontológica da humanidade. O autor evidencia o papel central
da mediação do trabalho com o processo histórico da práxis humana, quando afirma: “o
primeiro ato histórico do homem foi a produção dos meios que permitem a satisfação de
necessidades (...) e a criação de novas necessidades” (MARX, 1993, p. 42).
Para ele, a atividade produtiva é o mediador na relação sujeito-objeto, entre o
homem e a natureza. Um mediador que permite ao homem um modo de existência,
assegurando que ele não recuará para o estado natural. Porque, segundo Scheler, as
mediações que diferenciam (distanciam) o organismo humano do mundo natural,
intensificam nossa sensibilidade, compreensão, objetividade, adaptabilidade e liberdade
(SCHELER, apud RATNER, 1995, p. 18)
Na teoria social marxista, a mediação estrutura o ser independentemente da razão,
portanto, é ontológica; e como construto da razão, se apropria do movimento do próprio ser
social. Na ontologia do ser social, Lukács sinaliza essa dimensão ontológica da categoria de
mediação ao afirmar que:
o que é que se ensina), mas também aos agentes sociais (quem ensina) e suas peculiaridades”. Pornão pode existir nem na natureza, nem na sociedade, nenhum objeto que
neste sentido (...) não seja mediado, não seja resultado de mediações.
Desse ponto de vista a mediação é uma categoria objetiva, ontológica, que
tem que estar presente em qualquer realidade, independente do sujeito.
(LUKÁCS, 1979, p. 90)
É a partir da perspectiva lukacsiana que Pontes (2002, p. 113-114), reflete acerca da
mediação do profissional do Serviço Social à luz da dialética marxista, aborda a ação do
profissional que opera nas relações sociais. Analogicamente, o autor nos leva a refletir
acerca da categoria de mediação no nosso campo de atuação – o trabalho do professortutor.
Pontes, nos alerta para o fato de que não podemos restringir a mediação à ação do
profissional que opera nas relações sociais. Pois, em sendo constitutiva do ser social,
independente do sujeito cognoscente, a mediação pode ser apreendida pela razão no seu
movimento imanente. Não se trata, portanto, de o professor-tutor se constituir como um
agente de realização das mediações, mas trabalhar com e nas mediações. Pois, do contrário,
ele materializa a mediação, o que diminui o seu poder heurístico.
Nesse sentido, o professor tutor é um estimulador, não é motivador, pois a
motivação sai do sujeito. Se não levar o aluno a assumir a condição de sujeito, ele não
potencializa as mediações. Desse modo, a mediação pedagógica é concebida como uma
ação intencional de desenvolvimento, no sentido de promover a pessoa, desenvolvê-la,
estimulá-la a se assumir como sujeito, do processo de aprendizagem. É pedagógica, quando
o outro se torna sujeito na relação. Por isso, é preciso ter claro que a mediação não é
qualquer atividade, é uma “práxis” desenvolvida com finalidade – uma postura frente ao
mundo.
Podemos dizer, então, que as teorias, que também ajudam o professor do
presencial são fundamentais para o trabalho do professor- tutor da UDESC. E a mediação
pedagógica – principal característica da EaD, que está sendo construída, sedimenta o fato
real de que o processo de ensino-aprendizagem é uma construção permanente.
É nesse sentido que a mediação pedagógica da EaD, nesta universidade, se
caracteriza como um espaço interativo das relações que permitem a constante recriação de
estratégias metodológicas, onde o professor-tutor pode atribuir um sentido emancipatório
ao processo de ensino aprendizagem. Essa abordagem é marcada pelo trabalho de estruturar
os componentes de estudo, orientar, estimular e provocar o aluno a construir o seu próprio
saber, partindo do princípio de que cabe a ele criar um posicionamento marcadamente
possível, de modo a se colocar na condição de protagonista de uma ação que tem a sua
realidade como referência.
Por isso, é que essa modalidade de ensino nesta universidade elege, na sua
mediação tutorial, uma metodologia interativa como projeto de ação e pesquisa, a partir da
relação teoria e prática pedagógica, como referência do trabalho acadêmico. E isto inclui,
como possibilidade, o uso de novas tecnologias de comunicação e informação (TICs),
também como auxiliares na construção de habilidades intelectuais complexas.
A nossa prática tutorial em EaD tem mostrado que não basta o professor-tutor
dominar o conteúdo do estudo, é essencial ter clareza da sua intencionalidade e, ao mesmo
tempo, ter habilidade para estimular o aluno na busca de respostas e de novas questões,
levando-o a desenvolver o pensamento crítico, seu julgamento e sua autonomia. Parece que
isto demanda, tanto do professor-tutor como do aluno, abertura e entusiasmo para aprender.
Decorre daí, o nosso interesse em nos deter, especificamente, na análise da
importância do papel do professor-tutor como o orientador pedagógico, neste processo de
ensino/aprendizagem. Pois, como vimos, o sistema de formação à distância, oferece uma
série de recursos tecnológicos que podem favorecer o processo reconstrutivo do aluno
como sujeito e facilitar a aprendizagem colaborativa. Entretanto, nesse sistema, o trabalho
do professor-tutor passa a ser um elemento imprescindível, o elemento-chave para o
sucesso da aprendizagem. Afinal, ressalta Oliveira, (2003, p. 43):
[...] as TICs não mudam necessariamente a relação pedagógica. Elas tanto
servem para reforçar uma visão conservadora, individualista, autoritária,
como para dar suporte a uma visão emancipadora, aberta, interativa,
participativa. Nesse caso, transgredir a relação está mais na mente das
pessoas do que nos recursos tecnológicos, embora sejam inegáveis suas
potencialidade pedagógicas.
Neste sentido, a EaD traz uma mudança importante no papel do professor.
(SANCHO, 1998, p. 184).
Por isso, a incorporação dos professores colaboradores no sistema organizado da
Coordenadoria de Ensino a Distância da UDESC, como professores tutores, têm significado
a existência de uma nova figura na docência universitária para o desenvolvimento desta
modalidade de ensino. E é da construção dessa mudança que vamos tratar a seguir.
Trata-se de passar de uma modalidade presa ao ensino formal e a objetivos
preestabelecidos a uma outra, caracterizada pela auto-aprendizagem, pela participação ativa
e pela construção permanente do conhecimento.(GUTIÉRREZ; PRIETO, 1994, p. 09).
A mudança de posturas, a quebra de paradigmas, faz com que o trabalho do
professor não seja mais isolado. Hoje, a figura do professor, em qualquer lugar que atue,
não é mais aquela do detentor do conhecimento, alguém que sabe tudo, com alunos como
meros receptores do conhecimento. Com milhares de informações que estão ao alcance de
todos, principalmente pela internet, o trabalho isolado do professor já não satisfaz mais e
nem ele poderia saber tudo, de tudo.
E nesta modalidade de EaD, a aprendizagem é mais evidentemente mediada, na
sua maior parte, pelos materiais instrucionais, em conformidade com a metodologia de sua
elaboração. Mas, essa mediação complementa-se com o sistema de apoio tutorial. Com
isso, o trabalho em conjunto, cooperativo, de aprender a aprender, fundamental nesse
século de avanços tecnológicos, até então inimagináveis, vem de encontro com as
necessidades dos alunos, na busca da construção do conhecimento a partir da autoaprendizagem.
Neste ambiente, o tutor é, e continuará sendo, professor, mas um professor
cada vez mais potencializador e articulador de mediações.
Com efeito, ao professor-tutor não cabe transmitir conteúdos, mas reforçar o
processo de auto-aprendizagem do aluno, familiarizá-los com a metodologia do curso, com
o material didático, auxiliá-lo no planejamento de seu estudo, acompanhando-o na busca da
superação de suas dificuldades e orientando-o na resolução de dúvidas, em consultas
individuais ou em grupos. (UDESC, 2001, p. 31).
Gutiérrez e Prieto (1994, p. 8) estão convencidos do valor da mediação pedagógica,
para dar sentido à educação, tanto por parte dos docentes, como dos estudantes. Esta
afirmação vale para todo o processo pedagógico, mas chega a seu maior grau de
importância quando se trata de um sistema de educação à distância. Estes autores definem
por mediação pedagógica o tratamento de conteúdos e das formas de expressão dos
diferentes temas, a fim de tornar possível o ato educativo dentro do horizonte de uma
educação concebida como participação, criatividade, expressividade e relacionalidade.
Neste sentido, e trazendo estes conceitos para nossa análise, é importante sinalizar
os outros conceitos que são intrínsecos a este trabalho de mediação – o de facilitador, que
compreende a capacidade do tutor de desafiar o aluno e de motivá-lo na busca de respostas
adequadas às atividades propostas. Isso significa desenvolver sua habilidade de saber
articular mediações entre o aluno e o objeto de conhecimento. Já a mediação interativa, é
tomada no sentido de tornar o trabalho integrado, onde todos possam interagir para que o
trabalho em grupo se torne significativo para os participantes. Este paradigma de ensino
interativo proporciona experiências de aprendizagem, baseadas nas interações entre
professores e alunos, aluno e aluno, aluno com os materiais instrucionais e com outras
fontes dinâmicas de informação.
Muitas teorias pedagógicas que comungam a valorização da participação do
aprendiz e o processo de construção do conhecimento destacam a mudança do papel do
professor, que de mero transmissor, passa a ser facilitador do conhecimento. Um autor que
sinaliza esta questão é Masetto, quando discute as características da mediação pedagógica.
Para ele, a mediação pedagógica significa a atitude do professor, é caracterizada pelo seu
comportamento de facilitador e orientador da aprendizagem. Consiste em estabelecer uma
espécie de ponte entre o aprendiz e os conhecimentos a serem construídos, de forma que o
aprendiz chegue a seus objetivos pelo exercício de sua autonomia, tornando-se sujeito do
processo de aprendizagem, de forma ativa e colaboradora. (MASETTO, 2000, p. 145).
Na EaD, o professor-tutor surge como um articulador, facilitador e orientador de
mediações, aquele que ajuda a construir o caminho para seus alunos desenvolverem
habilidades, buscarem de forma interativa novos saberes e uma aprendizagem com
autonomia. Já que a forma interativa de aprendizagem, segundo Landim (2000), envolve
as mediações, que constituem, desde o tratamento das formas de expressão e relação
comunicativa dos tutores e dos alunos e dos alunos entre si, as formas de elaboração
didática e gráfica de programas e materiais dos alunos, que possibilitam a aprendizagem a
distância
Por isso, a mediação tutorial deve procurar promover um trabalho cooperativo e
colaborativo, onde individual e coletivamente, os integrantes do grupo dão a sua
contribuição. Estas contribuições podem ser, por exemplo, através da troca de materiais
encontrados. E podem se dar, nos encontros presenciais através da troca verbal de
informações e expositivamente. E nos encontros virtuais através dos Fóruns, chats, e-mails
etc. Segundo Pretti (2000) a aprendizagem cooperativa pressupõe auto-aprendizagem que é
também um processo de inter-aprendizagem, porque se aprende com o outro, com o grupo,
com os colegas. Por isso, as atividades em equipe estimulam e facilitam a autoaprendizagem.
Desta forma, todos participam e contribuem de forma conjunta para atingir
seus próprios objetivos e os objetivos comuns do grupo.
A partir do que foi exposto, conclui-se que a função tutorial do professor em EaD,
constitui-se em tarefa bastante complexa, em construção permanente, que envolve aspectos
metodológicos, técnicos, teóricos etc. Pressupõe, portanto, que ele possua uma visão clara
da construção de conhecimentos como um processo dinâmico e relacional, da metodologia
a ser utilizada, dos conteúdos e processos adequados de avaliação e sobretudo, da
necessidade de uma atitude de atuação consistente com essa visão. Para tal, sua formação
deve estimular a construção destas competências necessária à manutenção dos níveis de
qualidade do curso.
Referências
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EAD - ensino tem mais vantagens que desvantagens - dizem especialistas.
A educação a distância em instituições de ensino superior é uma prática nova no Brasil. Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), começou a se firmar em 1997, quando foram ofertados os primeiros cursos de pós-graduação. O credenciamento oficial por parte do governo federal, incluindo-se aí o surgimento das primeiras disciplinas de graduação, porém, se deu apenas entre 1999 e 2002.
Apesar disso, é intensa a discussão acerca das vantagens e desvantagens da EAD (educação a distância). A verdade é que, mesmo apresentando algumas ressalvas, os educadores destacam mais benefícios do que problemas na modalidade.
O pesquisador da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade de Campinas) Sergio Ferreira do Amaral, 50 anos, que estuda a aplicação de novas tecnologias no ensino, afirma não haver, "operacionalmente", empecilhos para ensinar a distância. "A dificuldade geral, hoje, é manter o mesmo nível de qualidade presente no ensino tradicional. Em termos geral, é tudo muito novo, e fica difícil estabelecer parâmetros para comparar. Saber se quem aprende em aulas não-presenciais sabe mais ou não", afirma Amaral.
Para Amaral, um "problema", que não pode ser visto propriamente como desvantagem, é o alto custo da produção de material teórico. "A adaptação do conteúdo didático para novas mídias é muito caro. Requer linguagem específica, recursos visuais. Tudo isso é feito por pessoas especializadas que trabalham em parceria com os professores. Mais uma vez, a mão-de-obra é mais cara. Além disso, hoje é imprescindível o uso do computador", afirma o pesquisador.
Porém, como destaca também o presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), Frederic Michael Litto, esse custo passa a ser vantajoso quando o universo beneficiado é grande. "Se o material for utilizado por mil pessoas por ano, por exemplo, já se pagou o investimento".
Segundo Litto, a única outra desvantagem que ele percebe na EAD é a falta de uma biblioteca. "O aluno não tem um milhão de exemplares para consultar", diz. Mesmo assim, esse obstáculo pode ser vencido quando o aluno tem disposição. "Apesar do horário apertado --ou ele não teria escolhido um curso a distância--, existe a opção de visitar bibliotecas", diz.Vantagens
Na outra ponta, a das vantagens, existe consenso pleno entre o professor da Unicamp, o presidente da Abed e outros participantes do setor: a EAD permite atender a um público muito maior e mais variado que os cursos tradicionais. Público esse, aliás, que não teria como voltar ou continuar a estudar sem a EAD.
" [A educação a distância] atende a pessoas ocupadas, sem disponibilidade de horários e otimiza o tempo livre", cita Litto. "Alguém com alguma deficiência física grave ou alguma paralisia, que não pode sair de casa, ganha a oportunidade de estudar", completa. "Ela [EAD] pode ser considerada uma ferramenta de inclusão social", declara por sua vez Amaral, da Unicamp.Interação
A falta de troca de experiências entre professor e aluno e de convivência humana são citadas como desvantagens da educação a distância por quem ouve falar no assunto pela primeira vez. Mas há quem vê nessa falta de contato algo nem tão grave assim.
"Havia perdas no começo, mas com o largo uso da internet isso desapareceu. Não que o contato humano para um jovem em desenvolvimento não seja importante. Mas na EAD essa falta [de contato] não pode ser vista como um item que torna o ensino menos efetivo ou pior", afirma o professor da Unicamp Sergio Amaral.
Na opinião do presidente da Abed, Frederic Litto, a internet preencheu a lacuna. "A sociabilização existe sim. Há os chats (salas de bate-papo), as videoconferências. Os alunos não são apenas nomes na tela, têm rostos com o uso da webcam", afirma ele. "Muitas vezes, existe até maior liberdade para levantar dúvidas, porque a inibição de falar na frente de uma classe inteira é descartada", continua.
"É uma questão de cultura adotar a educação a distância", declara Amaral. "Assim como não é hábito usar a televisão para educar crianças. Falta capacitar os professores para usar a tecnologia e adequá-la, seja com a TV seja com a internet", afirma.
Apesar disso, é intensa a discussão acerca das vantagens e desvantagens da EAD (educação a distância). A verdade é que, mesmo apresentando algumas ressalvas, os educadores destacam mais benefícios do que problemas na modalidade.
O pesquisador da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade de Campinas) Sergio Ferreira do Amaral, 50 anos, que estuda a aplicação de novas tecnologias no ensino, afirma não haver, "operacionalmente", empecilhos para ensinar a distância. "A dificuldade geral, hoje, é manter o mesmo nível de qualidade presente no ensino tradicional. Em termos geral, é tudo muito novo, e fica difícil estabelecer parâmetros para comparar. Saber se quem aprende em aulas não-presenciais sabe mais ou não", afirma Amaral.
Para Amaral, um "problema", que não pode ser visto propriamente como desvantagem, é o alto custo da produção de material teórico. "A adaptação do conteúdo didático para novas mídias é muito caro. Requer linguagem específica, recursos visuais. Tudo isso é feito por pessoas especializadas que trabalham em parceria com os professores. Mais uma vez, a mão-de-obra é mais cara. Além disso, hoje é imprescindível o uso do computador", afirma o pesquisador.
Porém, como destaca também o presidente da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), Frederic Michael Litto, esse custo passa a ser vantajoso quando o universo beneficiado é grande. "Se o material for utilizado por mil pessoas por ano, por exemplo, já se pagou o investimento".
Segundo Litto, a única outra desvantagem que ele percebe na EAD é a falta de uma biblioteca. "O aluno não tem um milhão de exemplares para consultar", diz. Mesmo assim, esse obstáculo pode ser vencido quando o aluno tem disposição. "Apesar do horário apertado --ou ele não teria escolhido um curso a distância--, existe a opção de visitar bibliotecas", diz.Vantagens
Na outra ponta, a das vantagens, existe consenso pleno entre o professor da Unicamp, o presidente da Abed e outros participantes do setor: a EAD permite atender a um público muito maior e mais variado que os cursos tradicionais. Público esse, aliás, que não teria como voltar ou continuar a estudar sem a EAD.
" [A educação a distância] atende a pessoas ocupadas, sem disponibilidade de horários e otimiza o tempo livre", cita Litto. "Alguém com alguma deficiência física grave ou alguma paralisia, que não pode sair de casa, ganha a oportunidade de estudar", completa. "Ela [EAD] pode ser considerada uma ferramenta de inclusão social", declara por sua vez Amaral, da Unicamp.Interação
A falta de troca de experiências entre professor e aluno e de convivência humana são citadas como desvantagens da educação a distância por quem ouve falar no assunto pela primeira vez. Mas há quem vê nessa falta de contato algo nem tão grave assim.
"Havia perdas no começo, mas com o largo uso da internet isso desapareceu. Não que o contato humano para um jovem em desenvolvimento não seja importante. Mas na EAD essa falta [de contato] não pode ser vista como um item que torna o ensino menos efetivo ou pior", afirma o professor da Unicamp Sergio Amaral.
Na opinião do presidente da Abed, Frederic Litto, a internet preencheu a lacuna. "A sociabilização existe sim. Há os chats (salas de bate-papo), as videoconferências. Os alunos não são apenas nomes na tela, têm rostos com o uso da webcam", afirma ele. "Muitas vezes, existe até maior liberdade para levantar dúvidas, porque a inibição de falar na frente de uma classe inteira é descartada", continua.
"É uma questão de cultura adotar a educação a distância", declara Amaral. "Assim como não é hábito usar a televisão para educar crianças. Falta capacitar os professores para usar a tecnologia e adequá-la, seja com a TV seja com a internet", afirma.
CAMILA MARQUES
da Folha Online
da Folha Online
acesso em 29/08/2011:
http://contextopolitico.blogspot.com/2009/08/ead-vantagens-da-educacao-distancia.html
O ead em sua aplicação.
O Ead no Brasil é uma realidade! Muitos discutem sua aplicação - até onde é possível formar profissionais através desse método de ensino - existem limites? Mas sua aplicação e efetividade ganham espaço a cada dia.
Este blog busca ampliar os conceitos sobre essa modalidade que a cada dia ganha mais adeptos.
Escrito por Adriano Lima
Prof. dos cursos de Administração da Faculdade Anhanguera de Ribeirão Preto
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